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sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Serenata

Numa noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.

Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.

Quando ele vier, porque é certo que ele vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.

De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

(Adélia Prado)

2 comentários:

Sonhadora disse...

Lindissimo poema...uma beleza.

Beijos
Sonhadora

Nica Gomes disse...

Magnifico!
li seu poema sorrindo!
voltarei!
bjos
Nica Gomes