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terça-feira, 1 de junho de 2010

"Para esquecer"


Para esquecer as nuvens cor de fruto,
o acenar do crepúsculo absoluto
e este ficar-me em restos retardios,
a minha sombra escrevo entre dois rios.


Cada minuto é o último minuto,
e com meus olhos e meus dedos luto,
e de cegueira teço ávidos fios
sobre pêndulos, pedras, poços frios.


A vida cabe em minha boca ardente,
e eu a soletro, em fuga, no acidente
de disparadas linhas. E o que existe,


o que de meu mais fundo mim afogo
sob a ilusão de verbo, rosa e fogo
é engano, rastro e som de um homem triste.


Abgar Renault

Um comentário:

Caminhos Poéticos disse...

Tem selinho aqui prá voceeeeeeee
com carinho meu.

É o primeiro do lado direito.
"Caminhos Poéticos"